Desabafo

Esses dias andei me perguntando: “O que eu quero desenvolvendo jogos?”. E felizmente, achei a minha resposta relendo alguns sites de colegas dos fóruns UNIDEV e PDJ, relatando as dificuldades passadas no desenvolvimento dos seus jogos, sua persistência e o melhor de tudo, incentivando aqueles que perderam o foco nesse caminho difícil, que é o mundo dos games. Só o desenvolvedor sabe os desgostos pelo qual passamos e a nossa vitória vem por três motivos. O primeiro, o conhecimento e experiência que ganhamos é indiscutível. Muito do que aprendi com C++ durante todos esses anos, confesso que não foram com simples projetinhos de faculdade, mas sim, desenvolvendo jogos. Foi onde encontrei diversas dificuldades e pude realmente utilizar, não todo, mas boa parte das características da linguagem de programação utilizada e ainda todas as minhas horas de estudo para resolver um simples problema, isso eu devo aos jogos. Em segundo, finalizar um jogo ou pelo menos lançar uma demo jogável dele, isso faz qualquer desenvolvedor vibrar! Ver que o projeto está dando certo e que está funcional e jogável é muito prazeroso, incentivando à continuação dos seus projetos. E por último, as críticas, sugestões e principalmente elogios recebidos de todos os jogadores, testers, amigos, família e quem quer que seja que teste os seus jogos. Ouvir um simples “Putz! Tá muito legal”, ou “Vc precisa melhorar a jogabilidade! Que porcaria dura!”, ou os mais empolgados “TÁ DE FUDEEEEEEEEERRR!! CONTINUEM ASSIM! QUERO JOGAR EM BREVE *.*!”, já me fazem acordar as 5h da manhã pra começar o meu dia lendo e pesquisando sobre os meus erros, bugs e em como melhorar meus projetos.

Confesso que durante essa jornada tive alguns desgostos, principalmente com a dificuldade de arranjar designers, e por muitas vezes pensei em largar tudo, fechar meu grupo de desenvolvimento e ser um reles mortal no mundo da programação. Mas, cadê a graça nisso? Desculpem aos que ganham dinheiro com o desenvolvimento de software proprietário, mas não sinto o mesmo desafio desenvolvendo um simples programa para controle de caixa do que escrevendo um simples pong, onde além do domínio de uma linguagem de programação eu precisaria implementar “n” conceitos desde física e matemática à IA, por mais simples que fossem o desafio é muito maior.

Pensando dessa forma resolvi não largar tudo e mesmo não tendo o desenvolvimento de jogos como uma profissão, mas sim um hobby, pretendo continuar nessa luta trazendo minha criatividade à realidade por mais tosca e com cara de NES que ela seja. Mesmo que me apedrejem devido a minha aquisição da plataforma Game Maker ou da utilização de engines em tempo de programação como a XNA, o que eu quero é desenvolver jogos PARA um consumidor final, poder mostrar resultados ao meu público e adiquirir o máximo de conhecimento possível.

Por isso que parabenizo ao criador de Eternal Lands, que mesmo como um profissional na área do desenvolvimento de jogos teve seus desgostos e por várias vezes decidiu desistir e felizmente, hoje tem uma comunidade consideravelmente grande, para os padrões de jogos “home made”, chegando a ter picos de mil usuários conectados semanalmente em seus servidores. E outros dois grupos que tb não queria deixar de fora de minhas parabenizações por terem quebrado o paradigma de “desenvolvedor de jogos, não profissional, não consegue fazer um MMORPG”, é o pessoal da Panda DEV, os quais conseguiram fazer um dos primeiros MMORPG’s brasileiros, Chaos Online, conseguindo 500 usuários online em seus dias de pico. E tb a galera do projeto Arret, que anda parada, mas sei que estão na ativa por baixo dos panos e irão trazer a tona mais um MMORPG estritamente brasileiro à nossa comunidade. Além das grandes comunidades que salvam a pele de muitos desenvolvedores, UNIDEV, PDJ e GameDevBr.

Para os que estão começando agora, sejam humildes e comecem por um simples pong e principalmente leiam esses três artigos: “Como fazer um projeto real“, “Artigo anti-engavetamento” e “Eternal Lands: Postmortem“.

Sorte a todos nós!

Uma resposta para “Desabafo”

  1. Sorte a todos nós parceiro.
    Continua firme e forte ai, que continuamos firmes e fortes aqui.
    Nada é fácil, e nem tudo que escutamos sobre desenvolvimento de jogos é verdadeiro, devemos nos guiar em quem faz acontecer.
    Boa sorte com seus projetos, e bola pra frente, to acompanhando aqui.

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